Poesia de aeroporto

 

Foto: unsplash.com
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VCP-JPA    

oito e quarto

– avisam os ponteiros.

 

já me parto

– respondo às pontadas.

 

***

 

PAINEL DE AEROPORTO

Arrivals and departures

díade que,

traduzida,

revela a mim

o seu senti(n)do:

chega de tanta partida.

 

 

***

 

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CAMPINA(S)

àquele que se diz plural

esse “s” não é igual

dele não se faz são

dele só me fiz só

e o silvo da solidão

cisma soar ao redor.

 

***

 

TORÁCICO-LÍRICO

O peito do homem amado

é refúgio pleno de plumas

suavemente pousadas

sobre a caixa de pulsante afeto.

 

O peito do homem amado

é um céu imantado e cálido

salpicado por sinais-estrelas

que desfio com mãos de mulher.

 

O peito do homem amado

é o silêncio contemplativo do amor

transbordante sobre a palavra que sai em fuga

a encontrar torácicos versos ao longe.

 

***

 

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ELEGIA AO AMIGO QUE VAI                                         

Os interlúdios engendravam o tear

trançando palavras funcionárias e suave seda

improvável manto a desvelar afeto

e a reconhecer um velho amigo

(à míngua de aniversários)

 

Mas qual Penélope

– fiandeira de sol –

quisera mãos sem nãos aos desenleios

quisera menos lâminas esses rituais

 

É que os aedos, embora as liras,

sabem do frio que guardam dentro,

mas cantam, troçam e desdenham bureaus

 

Comigo, o tecido em finos laços

acena ao adeus que se avizinha

 

E não se desmancha,

senão envolve, num bordado,

 

A nova amizade, turmalinas e áureas linhas.

 

***

 

EU QUE FICO

Ser estância

onde se é passagem

 

Onde relutância:

paragem.

 

(a que moucos ouvidos tocarão

os emudecidos ais

desse grito cais?)

 

***

 

 

                                                             

Foto: Juha Martikainen (freeimages.com)
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  CPV-VCP (no carnaval)

Visto-me de monocromia

da cor ora dita quente

ora o soar da melancolia

E então entro na rota anagrama

tachada, pois sim, de inusual

O que não sabem incautos

é que a ave de lata

me leva aonde sempre, para mim,

explode em festa o carnaval

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Diana é defensora pública e mestre em desenvolvimento regional. Escrever no Pandora Livre é parte do seu plano de se tornar uma burocrata descolada.

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